Como Fazer Meditação?


Como Fazer Meditação?



A meditação não tem a ver com palavras mas com prática. Não serve de nada lermos muitas vezes a ementa de um restaurante, o que conta é sentarmo-nos à mesa. No entanto, é útil dispormos das linhas orientadoras fornecidas pelas obras dos sábios de outrora. Essas obras contêm um manancial de instruções que expõem com clareza o objectivo e os métodos de Como Fazer Meditação, o melhor meio de progredir e as ciladas que espreitam o praticante.

Vejamos agora alguns dos muitos métodos de Como Fazer Meditação. Começaremos pelos preliminares e por conselhos gerais, após o que examinaremos um certo número de meditações particulares que constituem o fundamento da via espiritual. Fá-lo-emos de forma simples possível, a fim de permitir que cada pessoa as vá praticando gradualmente. Nunca será de mais sublinhar a importância dos conselhos de um guia experiente. Este texto não visa substituí-los, mas oferecer bases provenientes de fontes autênticas.

O nosso espírito tanto poder ser o nosso melhor amigo como o nosso pior inimigo. Libertá-lo da confusão, do egocentrismo e das emoções perturbadoras é, pois, o melhor serviço que podemos prestar a nós próprios e aos outros.

Quando nos empenhamos em aprender Como Fazer Meditação, como em qualquer outra actividade, é essencial verificarmos a natureza da nossa motivação. Com efeito, será essa motivação, altruísta ou egoísta, vasta ou limitada, que conferirá uma direcção positiva ou negativa aos nossos actos, determinando-lhes assim o resultado.

Todos nós desejamos evitar o sofrimento e alcançar a felicidade, e todos temos o direito fundamental de realizar esta aspiração. Contudo, na maior parte do tempo, os nossos actos estão em contradição com os nossos desejos. Procuramos a felicidade onde ela não está e precipitamo-nos para o que nos vai causar sofrimento. A prática budista não exige que renunciemos a tudo o que é realmente benéfico na existência, mas antes que abandonemos as causas do sofrimento, às quais nos apegámos como se fossem drogas. Como este sofrimento se deve à confusão mental que obscurece a nossa lucidez e o nosso discernimento, a única forma de o aliviar é adquirirmos uma visão justa da realidade e transformarmos o nosso espírito.

Eliminaremos, assim as suas causas primeiras, os venenos mentais que são a ignorância, a malevolência, a avidez, a arrogância e a inveja. No entanto, não basta curarmo-nos dos nossos sofrimentos pessoais. Cada um de nós representa apenas um único ser, ao passo que os outros são em número infinito e todos querem, tal como nós, deixar de sofrer. Além disso, como todos os seres são interdependentes, estamos intimamente ligados aos outros. Por conseguinte, o fim último da transformação que iremos empreender por intermédio da meditação também é tornarmo-nos capazes de libertar todos os seres do sofrimento e de contribuir para o seu bem-estar.

Devemos seguir os conselhos de um guia qualificado para podermos aprender Como Fazer  Meditação. Daí o papel essencial de um instrutor qualificado.

As circunstâncias que a vida quotidiana nos proporciona nem sempre favorecem a meditação. O nosso tempo e o nosso espírito estão ocupados por todos os tipos de actividades e de preocupações infindáveis. É por isso que é necessário, no princípio, arranjarmos um certo número de condições favoráveis. É possível e desejável mantermos os benefícios da meditação quando estamos mergulhados na torrente da vida quotidiana, nomeadamente recorrendo ao exercício da consciência plena. Mas no princípio, é indispensável exercitarmos o espírito num ambiente propício. É preferível meditarmos num lugar tranquilo para proporcionarmos ao espírito uma oportunidade de se tornar claro e estável.

A postura física influencia o estado mental. Se adoptarmos uma postura excessivamente relaxada, há fortes probabilidades de a nossa meditação se afundar no torpor e na sonolência. Em contrapartida, uma postura demasiado rígida e tensa arrisca-se a suscitar agitação mental.
Importa pois, que adoptemos uma postura equilibrada, nem demasiado rígida, nem demasiado relaxada.


1. As pernas são cruzadas na postura do vajra, comummente chamada postura do lótus, na qual começamos por dobrar a perna direita sobre a esquerda, e depois a esquerda sobre a direita.

2. As mãos descansam no regaço, no gesto de equanimidade, com a mão direita sobre a esquerda e a extremidade dos polegares em contacto. Uma variante consiste em pousar as mãos nos joelhos, com as palmas para baixo.

3. Os ombros estão ligeiramente elevados e inclinados para a frente.

4. A coluna vertebral está bem erecta, como uma pilha de moedas de ouro.

5. O queixo está ligeiramente puxado contra a garganta.

6. A ponta da língua aflora o alto do palato.

7. O olhar dirige-se para a frente ou ligeiramente para baixo, no prolongamento do nariz, com os olhos abertos ou semicerrados.

Se tivermos dificuldade em ficar sentados com as pernas cruzadas, podemos evidentemente meditar numa cadeira ou numa almofada alta.

O essencial é mantermos uma posição equilibrada, com as costas direitas, e adoptarmos os outros pontos da postura acima descrita. Segundo os textos, se o corpo estiver bem direito, os canais de energia subtil também se mantêm direitos e em consequência o espírito é claro.

No entanto, podemos modificar ligeiramente a postura do corpo consoante a evolução da aprendizagem de Como Fazer Meditação.

A postura apropriada deve ser mantida o máximo de tempo possível, mas se se tornar demasiado desconfortável, mais vale descansarmos uns instantes em vez de estarmos sempre a ser distraídos pela dor.

É essencial mantermos a continuidade da meditação, dia após dia, pois é assim que ela irá ganhando, pouco a pouco amplitude e estabilidade.

Fonte: "A arte da meditação", Autor: Matthieu Ricard, Editorial Presença

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